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Antes do jogo contra o lanterna Fluminense, pelo Brasileirão de futebol, o volante Adílson, do Grêmio, afirmou que a vitória seria como "bater em bêbado". A frase, inoportuna porém verdadeira, vale também para esta estreia do Brasil na Copa América de basquete, contra a fraquíssima seleção de Porto Rico. Na prática, é verdade, os dois "bateram no bêbado". O Grêmio sapecou 5-1 no Flu, o Brasil venceu fácil por 78-34.
É o tipo de jogo difícil para fazer análises. De relance, dá para extrair coisas positivas, como a boa defesa durante quase todo o tempo e a excelente atuação de Adrianinha, com 18 pontos, nove rebotes, cinco assistências, duas roubadas e 4/4 da linha de três. Existem também pontos negativos, como o péssimo aproveitamento nos lances livres (14/25, 56%). Além disso, vamos a duas breves comparações.
1) Comparemos a vitória do Brasil e a do Canadá (103-37 sobre a igualmente risível República Dominicana). Foram cenários semelhantes, com abismos de qualidade entre
as adversárias na quadra. Na avaliação dos números, as brasileiras ganham nos rebotes (57 x 42) e nos desperdícios (15 x 17). As canadenses respondem nos chutes de dois (60.9% x 47.9%), nos de três (46.2% x 30%), nos lances livres (80.6% x 56%), nas assistências (28 x 22), nas roubadas de bola (16 x 13), na quantidade de atletas pontuando em dígitos duplos (6 x 2) e, claro, nos pontos anotados (103 x 78). É lógico que se trata de uma comparação entre duas equipes que estavam em jogos diferentes, não é nada científico. Mas fica evidente que elas tiveram uma atuação coletiva bem melhor que a nossa, não?
2) Comparemos agora Mamá (foto ao lado) e Franciele. A titular jogou dois minutos a mais (21 x 19), mas a reserva ganha nos pontos (9 x 7), no aproveitamento dos chutes
(4/6 x 2/6) e nos tocos (1 x 0), além de um empate em 8 x 8 nos rebotes. Fran foi mal nos lances livres (1/4), mas com a bola quicando, continua me parecendo uma jogadora muito mais útil que Mamá. É muito mais ágil e atlética. Paulo Bassul, pelo visto, não acha.
Na quinta-feira, às 20h30, o adversário é a República Dominicana, que levou a tal surra das canadenses. Vitória tranquila, provavelmente, e vaga assegurada nas semifinais. Que a equipe continue usando esses treinos de luxo em Cuiabá para aprender com os próprios erros e evoluir.