segunda-feira, 2 de junho de 2008

À BEIRA DA QUADRA COM ARY VIDAL


Ary Vidal / Foto: CBB

Nos dois primeiros jogos da decisão do Nacional, entre Flamengo e Brasília, o sistema de som do Maracanãzinho anunciou a presença ilustre no ginásio. Com um currículo que inclui duas Olimpíadas, um bronze no Mundial de 1978 e o ouro histórico no Pan de 1987, Ary Vidal acompanhou as duas partidas, discreto, sentado nas primeiras filas da arquibancada. Discreto apenas por fora. Por dentro, o ex-técnico da seleção não consegue conter a revolta com os rumos do basquete brasileiro. Aos 72 anos, ele não tem dúvidas na hora de eleger o grande vilão da modalidade.

"Com o Grego, não tem jeito. Esse aí é o pior de todos", afirmou o ex-treinador ao Rebote, apontando para o presidente da CBB, Gerasime Bozikis, que estava ali, a quatro cadeiras de distância.

Flamengo x Brasília / Foto: CBBA poucos passos de Ary e Grego, ali dentro da quadra, Flamengo e Brasília decidiam
o título de um campeonato marcado pela ausência dos clubes paulistas. Para quem começou a trabalhar com as pranchetas há quase meio século, a união no basquete nacional é hoje uma utopia.

"Não acredito nisso. E lamento profundamente. É uma pena haver essa divisão. Flamengo, Brasília, Minas, Franca, Assis, Paulistano e Limeira poderiam fazer um campeonato de nível. Mas está tudo errado, começando pelo presidente da confederação. Não temos dirigentes, não temos técnicos, não temos jogadores. Temos alguns, claro, mas não dá para comparar, por exemplo, com uma Argentina", critica.

>>> "O técnico (Moncho) é bom,
é um cara sério. Mas com o Grego, não tem jeito. Esse aí [apontando para o presidente] é o pior de todos"


A desorganização fora da quadra deixa Ary Vidal sem base para avaliar as chances da seleção no Pré-Olímpico de Atenas.

"Não sei se dá. A gente nem tem toda a seleção. Nenê não sabe se joga, Leandrinho não sabe se joga", lamenta o ex-técnico, que levou o Brasil ao quinto lugar nos Jogos de Seul (1988) e ao sexto em Atlanta (1996), última vez que fomos a uma Olimpíada.

Grego e Moncho / Foto: CBBO novo comandante do grupo, o espanhol Moncho Monsalve, conta com a aprovação de Ary.

"Ele é bom. Eu o conheço, é um cara sério. Não tem problema nenhum por ser estrangeiro. É um baita palestrante, poderia reunir técnicos para passar conhecimento. Mas com o Grego, não tem jeito, não vai conseguir fazer nada", avalia o ex-treinador, na contramão de muitos de seus pares, que se disseram ofendidos com a contratação de um estrangeiro.

Após passar por problemas sérios de saúde, Ary Vidal prefere se envolver com o basquete dessa forma, curtindo jogos aqui e ali. Só não dá para esconder a frustração com o cenário atual.

"Minha vida inteira foi isso. Acabei com o meu coração, com
o meu cérebro, tudo por causa do basquete. Agora é isso aí".

6 comentários:

Anônimo disse...

Foi bom ver o Ary Vidal proximo das quadras de basquete, ali bem proximo de onde se disputava a decisao de ontem entre Fla x Brasilia; e merecidamente homenageado tambem - mesmo que de uma forma acanhada - pelo sistema de som do Maracanazinho.

O Brasil precisa dar mais valor a seus idolos e aqueles que fizeram parte da historia esportiva.

O lado triste e constatar que Ary Vidal esta certissimo em sua analise: que o esporte vive uma crise, que o cabo de guerra de interesses, e o racha das competicoes paralelas e antagonicas nao vai levar o basquete a lugar algum.

Roby Porto

Marcos Crovis disse...

Concordo com o que disse Ary Vidal sobre a divisão do basquete brasileiro. Vendo as finais da Supercopa e do Brasileiro nota-se que o basquete nacional ainda tem um grande nível. Que belo campeonato seria com Franca, Flamengo, Universo, Assis, Limeira, Paulistano, todos disputando a mesma competição nacional...

É triste saber que um torneio em nível nacional está se tornando cada vez mais inviável.
Abraços e parabens para o pessoal do Rebote
Marcos
cortaluz.blogspot.com

Fábio_Fortal disse...

Simples, direto e sem preconceitos. O basquete brasileiro está mal? Sim. Por que? Má administração (leia-se Grego). O técnico é estrangeiro. Sim, qual o problema?!

É no meio de tanta obviedade que se consegue complicar tanto no basquete brasileiro. Lamentável para nós torcedores, pior ainda para quem deu a vida pelo esporte.

Alexandre Estefan disse...

Já tive o prazer de assistir a um jogo próximo ao Ary Vidal na arquibancada, um Flamengo x Campos nos bons tempos do estadual, foi muito educado com todos, um exemplo de pessoa pública.
Quantos aos comentários sobre o Grego, é a pura realidade.

Glauber disse...

Ary Vidal fez belíssimas colocações sobre o basquete no momento
mas também fica difícil falar algo diferente do que ele disse
É uma pena q ele não está bem de saúde se não seria uma pessoa a se pensar para assumir uma CBB

Elder Franca disse...

Pois é, teríamos que ter na CBB alguém que conheça bastante o basquete, que seja sensato e seja um planejador (coisa que, apesar de gostar dele como jogador, não vejo no oscar, nem no Marcel, nem em outros que se apresentaram aí recentemente!) Gostaria de ver um grupo de pessoas tão apaixonados e ao memso tempo tão práticos como os que levaram a nossa ginástica de um nível "inexpressivo" ao patamar que ela se encontra hoje. Esse pessoal da ginástica está de parabéns; gostaria que no basquete houvesse pessoas com esse nível de comprometimento. Infelizmente... Um abraço a todos!