quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

NBB: ACESSO E REBAIXAMENTO




Na semana passada, a Liga Nacional de Basquete divulgou uma notícia que acabou passando meio despercebida, então queria colocar na mesa para a gente debater aqui. A novidade é que, a partir da próxima temporada, o NBB vai ter acesso e rebaixamento. Funcionará assim: a LNB tem hoje 19 associados e, se todos fizerem sua inscrição, a 20ª vaga será preenchida por um clube indicado pela CBB, provavelmente do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste – podem ser até dois clubes, caso outro associado desista. A indicação, na verdade, seria conquistada em campeonatos regionais (Carlos Nunes chegou a falar sobre isso na entrevista aqui no Rebote). Quando a liga tiver 20 inscritos, os times indicados pela CBB disputariam um quadrangular com os dois piores do NBB anterior. Desse quadrangular sairiam duas equipes para o NBB seguinte.

O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o pagamento da franquia, obrigatório inclusive para os que vão subir através do torneio da CBB. São R$ 200 mil, não é pouca coisa. E se o campeão e o vice da competição regional não tiverem bala para pagar? As duas primeiras edições do NBB tiveram 15 e 14 times. Daqui a um ano, será que teremos mais de 20 equipes reunindo condições financeiras e técnicas para entrar em quadra? Uma coisa é você ganhar um torneio regional classificatório de segundo escalão, até aí tudo bem. Outra coisa bem diferente é ganhar o torneio e ainda ter R$ 200 mil para desembolsar, mais dinheiro para manter o elenco, bom ginásio, um mínimo de estrutura, e por aí vai.

A ideia é, sem dúvida, interessante, mas acho que alguns pontos ainda precisam ser amarrados. E você, o que acha disso tudo? A democratização começa por aí? Diga na caixa!

10 comentários:

Fábio Carvalho disse...

O mais difícil ainda é a logística de jogos/viagens.
Se no nordeste já é difícil manter os clubes de futebol, imagine os da bola laranja. Creio que uma exposicao em massa, tanto de jogos quanto notícias, poderiam ajudar e muito, mas nao creio nisso. Afinal, quantos jogos o NBB teve transmitido em TV aberta na última e nessa temporada? To acompanhando de longe, mas acho que podemos contar nos dedos.
As idéias sao boas, mas para popularizar o esporte e ajudar de verdade os clubes, dependemos muito da exposicao.

Anônimo disse...

O ideal: um campeonato com 16 times, os dois últimos são rebaixados. Sobem dois do torneio da CBB (só disputaria esse torneio que tivesse condição de pagar a franquia).Sem essa de quadragular

Acho que a liga poderia começar a pensar em uma 2º divisão. Em São Paulo se disputa o torneio Novo Milênio, agora no 1ºsemestre. Acho que algumas equipes, que disputam esse torneio, se interessariam em disputar uma liga B

Tem um item no estatuto da liga que não permite que um estado tenha mais da metade dos participantes. Acho que isso poderia ser alterado. Quem é melhor participa.
Abraços
Luis

Marão Caetano disse...

200 mil pra time de segunda divisão não dá né... Isso mal dá na Europa, quanto mais aqui.

Diogo Aquino disse...

òtima intensão, mas como tantas outras que superlotam o inferno esta fadada ao insucesso.

É claro que a liga em que ter um carter mais nacional. Contudo não é o momento para adotar tal medida.
Acompanhe o raciocinio:

Além de todos os problemas que ja foram citados, imagine o que aconteceria com um Saldanha da Gama na vida se a trancos e barrancos ele investe tanto dinheiro para manter um time na liga e derrepente é rebaixado?
Se acha q essa equipe vai se manter?
Pior imagine se a CBB banca a o pagamento da franquia da equipe que entrará em seu lugar o se o mesmo é abonado, ou coisa do genero. Como fica o "Saldanha que se virou e pagou do próprio bolso o valor e foi limado da liga.

Hoje a liga tem que manter os mesmos moldes limitando a um maximo de 20 equipes sem rebaixamento. No futuro quendo a mesma tiver atingido a popularidde e glamur que todos esperamos ela poderá até pensar em rebaixamento ou coisa parecidoa ,o que eu particularmente não sou muito favoravel, mas entendo que no futuro seja necessário para o bem da liga em todos os aspectos.

Contudo hj talvez criar uma competição secundária sem pagamento de franquia e sem acesso a competição principal, possa ser a solução.

Seria um bom meio de revelar atletas, talvez até draft possa ser criado em função do jovens talentos que possaum surgir.

Aliais viajando um pouquinho mais nessa idéia, essa liga secundária teria que ter redominantemente atletás de no maximo 25 anos, não poderia ter atletas estrangeiros e outros fatores no sentido de revelar jovens valores.

Colin Foster disse...

O amigo Diogo Aquina pensa parecido comigo. A minha dúvida que ficou é, suponhamos: Assis, Saldanha (NBB), Paysandu e Sport Recife (torneio regional) disputam o quadrangular. Suponhamos que todas as equipes tenham condições financeiras de subir. As 2 que terminarem em 3º e 4º vão fazer o que no período do próximo NBB? Nada? Ficar paradas? O patrocínio se dá muito pela continuidade do trabalho, pela semente plantada na cidade ou no clube. Como "limar" esses 2 times de uma competição? Vão disputar somente a competição regional?

Como vai ficar o patrocinador grande? Ele vai querer sair e patrocinar algo que lhe dê mais visibilidade, certo? Portanto, essa lógica da franquia é insana, porque o clube só vai ter dinheiro pra pagá-la mediante um acordo de patrocínio.

É só pensar como no futebol: um time sem grande tradição que está na segunda divisão tem um patrocinador que lhe paga 5 reais. Se ele subir para a primeira, esse patrocinador vai ter mais visibilidade e será "obrigado" a pagar 10 reais para não perder o espaço na camisa para a concorrência que quer ter a marca divulgada pagando 10 reais, certo?

Então, acho primeiro que deveria ser criado um torneio até 25 anos, que englobaria jogadores que não tem oportunidades e tb a tão falada liga sub-19.

Nesse torneio, não deveria haver pagamento de franquia, justamente para estimular mais clubes a montarem equipes. Esse torneio pode ser dividido regionalmente e ter sua fase final disputada numa sede única, reduzindo drasticamente os custos. Os dois primeiros sobem para a primeira divisão.

Dirão: e os times que já pagaram os 200 mil? Bem, esses garantiram sua "vaga" de fundadores da LNB e ajudaram o torneio a ganhar credibilidade e atrair investidores. Para mim, o mais justo seria que o valor pago pela franquia inicial fosse sendo ressarcido aos poucos, pelo menos em parte, como no imposto de renda. Não sei se é muita viagem minha, mas acho que seria uma forma bem encadeada de se fazer um torneio justo e estimular equipes novas a ingressarem no torneio, dar novas oportunidades a atletas e treinadores, porque são estes que fazem o basquete viver.

Um abraço

Alfredo Lauria disse...

Colin,

Em tese é possível fazer contrato de risco com o patrocinador.

Por exemplo, a Nassau investe na montagem de um time para o Sport a princípio apenas temporário (como existem muitos pelo Brasil) e se condiciona a bancar a franquia + o patrocínio anual em caso de classificação.

Agora, o difícil de imaginar é empresas desembolsando essa grana alta apenas para bancar a franquia. E como ficaria a franquia dos rebaixados? Essas equipes perderiam? Ou apenas adicionariam novas?

Pq se simplesmente resolverem aumentar o número de franquias, não há qualquer motivo para o seu valor continuar se inflacionando (de 150 mil reais passou para 200 mil em alguns meses)...

Agora, o que eu sempre achei é que os clubes do Norte/Nordeste deveriam ser subsidiados de alguma forma pelo NBB, a começar pelo próprio valor da franquia.

Escrevi há algum tempo que se a LNB não corresse atrás de inserir clubes dessas regiões no NBB haveria uma crise de legitimidade do campeonato e, o pior, a CBB poderia começar a questionar a autonomia do campeonato.

Assim, esse é um momento chave para a LNB, pois tanto pode se afirmar, como pode acabar perdendo parte de sua tão almejada independência.

O ideal seria que a própria LNB tomasse as rédeas dessa inserção dos clubes do Norte/Nordeste, ainda que tenha algum prejuízo financeiro, sem deixar que a CBB crie qualquer tipo de imposição.

Rodrigo Alves disse...

Sobre a questão dos clubes que ficarem fora do NBB, o texto diz o seguinte:

"Os associados da LNB terão o direito de permanecer por dois anos fora do NBB e, caso não consigam retornar, serão ressarcidos do valor da franquia, conforme regras da entidade."

Anônimo disse...

Srs,
Quem quiser participar da NBB tem que pagar a franquia sim.
Quanto custa montar um time medio?Viagens,estadias,alimentaçao,comissao tecnica,jogadores, medicos,fisioterapeutas, e etc?
Pela minha conta no minimo 2.000.000,00 por ano.
Entao 200.000 acho razoavel para se jogar o maior campeonato do Brasil.Por que 200.000?
Alem do mais, o que se fala é que cada time ja recebeu em 2009 em torno de 90.000,00 da propria liga atraves de seus patrocinadores.
Ora, se a NBB retorna valores financeiros anualmente aos clubes que participam, para mim é natural que nos proximos anos a franquia podera valer 500.000, depende dos valores que estaram sendo investindo na LNB pelos patrocinadores.
O q nao da para aceitar é um time subir e nao pagar nenhuma franquia e ainda receber por exemplo estes 90.000.
E a informaçao é que os times da NBB que sairem receberam de volta o valor da franquia investido.
Nao vejo nada de escandaloso neste metodo.
Parabens a NBB pelo profissionalismo e por tratar o Basquete como negocio.

jp disse...

eu sempre fui a favor de acesso e rebaixamento. mas numa liga SÓLIDA. o que a NBB tá longe de ser.
está no caminho, mas longe.
primeiro tem que existir estruturação e o maximo de ajuda aos clubes, que em sua maioria fazem um esforço absurdo pra manterem o basquete

Unknown disse...

Ainda, diante da codição de devolução do valor investido na franquia, concordo com akeles que acham que o rebaixamento é totalmente preciptado no NBB. Se existisse rebaaixamento hoje, caso fosse investidor, na melhor da hipoteses, faria um contrato com mais de um ano de duração apenas com Flamengo e Brasília. Tal condição torna inviavel instituir o rebaixamento tão cedo no NBB. A liga "b" com jogadores até 25 anos me parece bem mais interessante, bem como a ideia do Draft. Os times do NBB passariam a ser obrigados a contar com ao menos 2 jogadores do Draft na temporada seguinte. A ideia do torneio ser regionalizado com um final four ou até + equipes em uma sede unica é mto interessante. Facilitaria a vida financeira das equipes principalemnte as nordestinas.