segunda-feira, 21 de junho de 2010

ARTEST, O CAMPEÃO DIFERENTE




O cara já bebeu conhaque no intervalo de jogo, já chegou para treinar vestindo roupão de banho, já pediu um mês de licença para divulgar CD de rap, já lançou monitor de TV no chão, já perdeu guarda de cachorro por não dar comida, já passou 10 dias em cana por violência doméstica, já escalou arquibancada para bater em torcedor... e já foi campeão da NBA. Essa última, Ron Artest meteu no currículo na última quinta-feira, na Califórnia, quando levantou a taça pelo Los Angeles Lakers.

Um dos maiores loucos da NBA, o camisa 37 (que já vestiu 15, 23, 91, 93 e 96) deu uma entrevista coletiva hilária no Staples Center após o jogo do título, cercado por oito familiares, certamente já com um bocado de álcool nas ideias. O Fábio Balassiano botou o vídeo no Bala na Cesta, e agora eu reproduzo aqui. Vê só:



A trajetória de Artest está inevitavelmente ligada à de outro astro polêmico da NBA: o fanfarrão Dennis Rodman. Em resumo, os dois gostavam de fazer maluquices com o cabelo, mandavam bem na defesa e aceitaram entrar na linha em determinado momento para fazer parte de um time campeão – não por coincidência, ambos treinados por Phil Jackson e sua filosofia zen.



Há algumas diferenças, claro, a começar pelo fato de que Rodman já tinha sido bicampeão pelo Detroit Pistons em 1989 e 90. Seis anos depois, o rebelde se curvou a Michael Jordan e, mesmo com os cabelos malucos, segurou a onda para ser muito útil no segundo tricampeonato do Chicago Bulls.

Rodman era um reboteiro muito melhor que Artest (foi sete vezes o maior da liga), mas Artest é um jogador muito mais completo que Rodman. O ala dos Lakers ao menos sabe quicar a bola e contribui muito mais no ataque quando necessário. Pode ser crucial como foi no jogo 7 da decisão, quando quase beijou Paul Pierce (foto), mas contribuiu com 20 pontos, 5 rebotes e 5 roubadas. Na essência, cá e entre nós, a alma dos dois figuraças é praticamente a mesma.

E Artest agora pode dizer que também tem seu anel. Confesso que, em determinado momento, deixei de acreditar nele – nem foi na famosa confusão do Palace, mas sim no pedido de férias para divulgar o disco. Ali estava um jogador sem o menor tesão pelo basquete. O Ron-Ron (que apelido ridículo) de hoje é outro - sabe-se lá até quando. É dedicado. É útil. É campeão.

9 comentários:

Anônimo disse...

"Com a cabeça arejada, agora já acho que vai dar tudo certo (...) com Kobe e Ron os Lakers passam a ter uma das melhores defesas de perímetro da história da NBA".
By Rodrigo Alves - segunda-feira, 6 de julho de 2009

A defesa que segurou o Celtics no quarto período do jogo sete. Confesso que há muito muito tempo eu não via uma defesa como aquela.

Heverton Elias

PauloRJ disse...

Rodrigo, o Artest com a cabeça no lugar é uma excelente adição para qualquer time...e ele caiu no lugar certo: Um técnico que poderia muito bem ser psicólogo, um amigo (Odom) dentro do time que poderia ajudá-lo em momentos difíceis, um manda-chuva (Kobe) para chamá-lo para a responsabilidade, e um veterano (Fisher) com condições de acalmar os companheiros...

A atuação dele nas finais foi excelente não só por causa dos 20 pontos e 5 roubos no jogo 7, mas sim por não ter deixado o Pierce acabar com a defesa do Lakers como fez em 2008...

Duda 11 disse...

Artest é um jogador muito importante para um time! Tem seus altos e baixos, mas tem muito coração em quadra! E com o Phil Jackson no comando, foi decisivo para o LAL!

Leonardo disse...

Dennis Rodman é um dos jogadores que me fez gostar da NBA e de basquete em geral. Sériu. Sabe quando você não sabe quicar bem a bola, não sabe arremessar direito e tem de jogar em times onde um ou dois sabem bastante e você praticamente some no ataque pois eles ficam com todas as posses de bola. Era assim o time do meu colégio e eu era o sem técnica, somente força. Eu comecei a procurar como melhorar e quem eu encontro, The Worm. Nossa, foi quase que espetacular ver aquele cara muito louco, sem técnica que vencia tantos na base da força, raça e força de vontade, sem contar a incrível paixão pelo jogo.
Quando soube que ele ia para o Bulls, fiquei preocupado. Ele saiu do Spurs numa situação desconfortável e ele iria assumir uma posição que fora do Horant Grant, um dos jogadores mais gente boa que já jogou na NBA. Mas, devidamente "amansado" ajudou e muito em três campeonatos.

Quando ele se aposentou, senti falta de um time que olhasse para os outros com aquela cara feia, capaz de demonstrar que o basquete é raça, firmeza e força, que para vencer teria que ter muito esforço, e ainda não bastava, ainda tinha que continuar pisando. No início dos anos 2000 era apenas o Portland "Jail" Blazers mas não era um time que eu admirava. Kings, Lakers, Spurs (ainda que defensivo e coletivo como sempre), Bucks, 76s, Nets, Mavs eram todos times que, ainda que dessem a devida importância ao jogo defensivo, não eram o Piston "Bad Boys".
Eis que surge o Indiana Pacers de 2004. NOSSA!!!!! Incrível aquele time. Formidável a FÚRIA!!!! Era o grande intimidador. Jermaine O'Neal que na época tava no auge, Al Harrington sempre dedicado, Jamaal Tinley que quando não tava baleado era eficiente, Stephen Jackson jogador que sempre admirei e lamentei a saida do Spurs (imagina uma dupla de perímetro com ele e Bowen) e ele, o TRI LOUCO formado em MATEMÁTICA, Ron Artest e, claro, ainda tinha Reggie Miller em fim de carreira mas sempre decisivo. As finais de conferência em 2004 contra o Pistons, UAU. Que série. Que Show.

Ron Artest reencontrou seu lugar. Ele é a emoção que falta a esta liga, onde cada vez mais regras e multas evitam que jogadores sejam humanos. David Stern deve querer toda noite que ele tivesse em mãos não a NBA, mas sim o jogo NBA 2k10, onde os jogadores não se exaltam, ou outras coisas.
Ron Artest é o cara mais fenomenal, mais divertido, mais louco e mais espontâneo que existe e que joga na NBA. Que outro tem essa alma, essa fúria, essa chama chamada RAÇA, tudo junto, misturado e transbordando.

Este é o meu comentário e depoimento, quase uma confissão em admiração ao jogador louco. Sendo fã de NFL, dou muito valor ao espírito, a raça e etc.
Abraços

PauloRJ disse...

Leonardo, pode encaixar o Rasheed Wallace nos seus comentários também...eu lembro de uma declaração que fizeram sobre o time do Detroit que ganhou o título em cima do Lakers, que o time só engrenava depois que o Sheed tomava a 1a técnica...aí ele estava no jogo e todos iam atrás....

Bruno disse...

Virei fã do Artest depois que passei a prestar atenção de verdade no seu jogo com o Lakers.Sempre soube que era um grande defensor, mas por acompanhar os Lakers pude entender o quão grande é esta habilidade defensiva do Artest, seu instinto de antecipação, as mãos rápidas que roubas e desviam muitas bolas, o gosto pelo choque físico, enfim, o grande jogador defensivo que é Artest, que tem talento, oscilante é verdade, para contribuir no ataque também e, com os Lakers e Phil Jackson, adicionou uma força mental que ajudou muito o time da Califórnia a superar seu maior rival e ser campeão.
Ron Artest é uma das grandes atrações da NBA de hoje, pelo conjunto da obra.

Diego disse...

Dennis Rodman apesar dos poucos fundamentos que tinha contribuia muito ofensivamente, com a boa quantidade de rebotes ofensivos que ele pegava, lógico ron artest ofensivamente é muito melhor do que dennis rodman, mas Rodman era mais engraçado e liderar a liga em rebotes 7 vezes com os pivos da época dele n era algo fácil n, boa comparação Rodrigo.

joao disse...

hahahah essa entrevista dele pós jogo é espetacular, vale dar uma olhada mesmo sendo quase 10 minutos

Zeca disse...

A história do Rodman não saber fazer pontos e tals, nada mais é que uma lenda... na universidade teve médias de 25+pontos/15+rebotes... lógico que numa conferencia fraca e tal... na NBA, em algum momento em 1991 ou 92 Rodman decidiu se concentrar em defesa/rebote (no trabalho "sujo"), deixando a pontuação com os outros e se tornar o melhor no fundamento... prova disso são suas médias de pontos por jogo, double/doubles e rebotes por jogo até a temporada 91-92:
87-88 -> 11.6 PPG/29DD/8.7rpg
88-89 -> 9.0 PPG/20DD/9.4rpg
89-90 -> 8.8 ppg/22DD/9.7rpg
90-91 -> 8.2 PPG/25DD/12.5rpg
91-92 -> 9.8 PPG/42DD/18.7rpg
92-93 -> 7.5 ppg/22DD/18.3rpg
93-94 -> 4.7 PPG/7DD/17.3rpg
94-95 -> 7.1 PPG/15DD/16.8rpg
95-96 -> 5.5 ppg/5DD-1TD/14.9rpg
96-97 -> 5.7 PPG/11DD/16.1rpg
97-98 -> 4.7 PPG/5DD/15.0rpg
Veja que ele até 91-92 tinha uma média próxima de 10pontos por jogo, com aumento progressivo do número de rebotes, na temporada 92-93 em diante parece que ele, gradativamente abandonou os arremessos, concentrando-se apenas em rebote/defesa.