

Quando eu era moleque, torcia pelo Chicago Bulls, e tive a sorte de começar a ver NBA um pouquinho antes de Michael Jordan tomar a liga de assalto. O normal seria que os seis títulos me transformassem num torcedor fanático, mas o que aconteceu foi o contrário. Hoje não chego a vibrar ou sofrer com o time, mas fico espantado como nós, no Brasil, criamos uma relação de amor e ódio com o basquete americano.
A distância não impede, por exemplo, que tantos brasileiros adorem ou detestem jogadores de altíssimo nível como Kobe Bryant ou LeBron James.
A introdução acima, claro, se deve à enxurrada de críticas dedicadas a LeBron após a eliminação diante do Orlando Magic. Duas semanas antes, o senso comum fazia do rapaz um gênio. Hoje, muita gente lhe prega o incômodo rótulo de amarelão.
Sou do grupo que ainda vê em LeBron muito mais momentos geniais do que amarelões. O que ele fez neste playoff é coisa de gente grande, e o amadurecimento pode elevá-lo ainda mais.
Agora, é lógico que esse amadurecimento passa por absorver fracassos. E não adianta tapar o sol com a peneira: apesar dos grandes momentos no mata-mata, LeBron e o Cleveland fracassaram na final do Leste, assim como fracassaram na decisão de 2007 contra o San Antonio. Não há o que apague isso.
O que nós vimos agora ajudaa comprovar a tese de que é muito difícil ser campeão na NBA sem ter pelo menos dois jogadores de elite no elenco. LeBron ganhou o reforço de
Mo Williams (foto) para esta temporada, e eu continuo afirmando que o armador fez
o Cleveland escalar muitos degraus. Mas o mascote do blog, claro, não está na elite
da elite. Na hora que a coisa aperta, ainda está abaixo de um Gasol, de um Odom, de um Turkoglu ou de um Lewis, só para citar os escudeiros de Kobe Bryant e Dwight Howard na final que se aproxima.
O elenco do Cleveland não é perfeito, mas isso também não tira a culpa de LeBron, que cometeu erros infantis em momentos decisivos de algumas partidas - assim como decidiu outras de forma espetacular. Errou ainda ao fugir dos repórteres ao deixar o ginásio do Orlando. Ninguém, claro, é obrigado a falar com a imprensa, mas não é essa a atitude que se espera de um líder. Ele deveria ser o primeiro a procurar os microfones e se dirigir
ao seu torcedor. Em vez disso, saiu de fininho, derrotado.
Para piorar, não cumprimentou Dwight Howard na quadra e deu a infeliz declaração: "Para mim, é difícil parabenizar alguém depois de ter perdido. Sou um vencedor. Não se trata de ser antidesportivo ou algo do tipo. Se alguém te derruba, você não vai dar os parabéns. Sou um competidor. É isso o que eu faço. Não faz sentido ir até lá e apertar a mão dessa pessoa". Triste.
A eliminação e as atitudes pequenas não chegam a comprometer a carreira de James ou tampouco fazem dele um amarelão incorrigível. Afinal, há muita estrada pela frente. Mas só é possível cruzar essa estrada aprendendo com os erros. E o processo inclui os rótulos, é inevitável. É preciso carregá-los com dignidade até o momento de se livrar deles. No caso de LeBron, não tenho dúvidas, esse momento vai chegar. Você não acha?